Estrutura os processos da startup: paga a dívida estrutural sem perder velocidade
As startups são rápidas porque tudo cabe numa cabeça e numa sala. A rutura não chega de repente, chega quando duplicas. Com cinco pessoas, o alinhamento é um grito de um lado ao outro da sala. Com vinte, o mesmo grito vira um boato com três versões.
Há um bom nome para isto: dívida estrutural. Funciona como a dívida técnica, só que na organização. Acordos verbais, responsabilidades pouco claras, decisões sem registo. Pagas os juros em repetição: a mesma discussão, pela terceira vez, com o mesmo resultado.
A métrica que capta isto é o lead time de uma decisão. Desde o momento em que a questão é levantada até ao momento em que é decidida e todos sabem. Não o tempo que alguém passa a pensar, mas o tempo em que a questão simplesmente fica parada.
Um exemplo: catorze decisões por mês, seis dias de lead time em média, cinco deles gastos à espera de uma única pessoa. Decidir não é lento, esperar é que é. Essa conta mostra-te o teu estrangulamento, e quase sempre tem um nome.
O segundo número é a taxa de retrabalho: o que foi construído e depois deitado fora porque o requisito nunca ficou escrito? Em equipas jovens há mais dinheiro aqui do que em qualquer programa de eficiência, e dói a dobrar, porque o trabalho já está pago.
A armadilha: impor um espartilho por medo do caos. Etapas de aprovação, formulários, comités. Isso mata exatamente o que te tornava rápido. A regra é simples: só tanto padrão quanto o necessário para que a mesma decisão não seja tomada três vezes. Nem mais um parágrafo.
O primeiro passo: mantém uma lista durante um mês com cada decisão, a data, a pessoa e o resultado. Essa lista é desconfortável e honesta. Em quatro semanas mostra-te onde está o teu estrangulamento, e é o único sítio por onde precisas de começar.